6 - Educação integral

Oferecer Educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) alunos(as) da Educação Básica.


ENTREVISTA: Como a articulação com o território pode auxiliar a Educação Integral?

Fundação Itaú Social em 2015
Júlio Neres, técnico do Núcleo de Educação Integral pelo Cenpec e mestre em educação pela USP, fala sobre a importância das relações no território na educação integral.
Como mapear os diferentes espaços educativos, culturais e esportivos e equipamentos públicos nos diferentes territórios?
Há diferentes formas de identificar isso. A primeira delas é atentar-se para o que o próprio poder público já disponibiliza. Mas há outra maneira, mais interessante, que é investigar com as crianças e professores estes espaços, criando uma cartografia do território. A partir do mapa físico identifica-se por onde eles circulam, marcando locais de lazer e também de tensões. Assim se tem um mapa com uma primeira camada, que é institucional, e uma segunda, construída pela escola ao investigar este território, que permite descobrir outros espaços que essas pessoas, crianças e professores, ocupam. Mobilizar a escola para investigar estes lugares e relações amplia a própria compreensão de território. A cartografia faz com que se chegue a uma compreensão de território das relações, inclusive porque é possível que espaços construídos pelo poder público estejam esvaziados destas relações locais.
Como aproveitar estas relações para potencializar e ampliar a aprendizagem nesses espaços?
O território vai ser melhor aproveitado na medida em que a escola tenha nas suas disciplinas regulares um lugar para ocupar isso, com um objetivo claro ao romper seus limites físicos. É importante acreditar que aquele espaço tem saberes e que os saberes vão contribuir para as crianças. A ideia é que se aprenda com o outro e que o outro também aprenda com a escola, porque isso aumenta e potencializa tanto a comunidade quanto a própria escola.
Na prática, se o espaço em questão for relativo ao poder público, pede-se autorização. Ou, de maneira informal, o aproveitamento do território se dá pelo contato direto com pessoas da comunidade.
Como agir em regiões da cidade onde a oferta destes espaços é escassa?
Se pensarmos na perspectiva cartográfica, isso não acontece, porque sempre serão encontrados na cultura local alguns saberes que estão dispersos (como em grupos de bordadeiras, encontros de igrejas ou de jovens, por exemplo). É surpreendente quando professores e escolas se mobilizam porque a primeira fala é de que não há muito na região. Esse é um pensamento que considera, primeiro, espaços formais como teatros e cinemas, mas logo se percebe que a cultura local vai além disso, ela pulsa de outras maneiras.
Júlio Neres - técnico do Núcleo de Educação Integral pelo Cenpec e mestre em educação pela USP.